Review – Resident Evil 8: O Pesadelo Final
Desde o início, Resident Evil 8: O Pesadelo Final deixa claro que não é apenas mais um capítulo da franquia, mas sim a tentativa de entregar uma conclusão épica e definitiva para a saga. O filme começa retomando elementos clássicos do terror de sobrevivência, combinando cenários claustrofóbicos, atmosfera sombria e a sensação constante de perigo iminente. A direção investe pesado em recriar a tensão dos jogos, com corredores apertados, iluminação mínima e criaturas grotescas que parecem surgir das sombras a cada minuto. Logo nos primeiros minutos, o espectador é jogado em um turbilhão de ação e suspense que não dá trégua.
A narrativa segue Alice em sua última missão contra a Umbrella Corporation, mas agora acompanhada de novos personagens que dão um frescor à trama, sem abandonar os rostos conhecidos da franquia. A dinâmica entre os protagonistas cria momentos de alívio cômico, mas nunca tira o peso da urgência que a história exige. É interessante perceber como o roteiro costura referências diretas aos primeiros filmes e até mesmo aos games, criando uma sensação nostálgica para os fãs de longa data. Há flashbacks bem trabalhados que explicam pontos soltos de capítulos anteriores, e isso dá ao filme uma aura de “grande fechamento”.
No aspecto técnico, O Pesadelo Final é um espetáculo visual. Os efeitos especiais impressionam, especialmente nas batalhas contra os monstros mutantes que desafiam as leis da biologia. Cada criatura foi cuidadosamente detalhada, e o resultado é uma mistura de nojo e fascínio que mantém o espectador preso à tela. A trilha sonora, com batidas eletrônicas sombrias e orquestrações intensas, reforça o clima de urgência e apocalipse. A fotografia, marcada por tons frios e cenários decadentes, transmite a ideia de um mundo que está literalmente à beira do colapso.
Em termos de ritmo, o longa consegue equilibrar ação e suspense, evitando cair no excesso explosivo que marcou alguns dos títulos anteriores da franquia. Há sequências de luta intensas e bem coreografadas, mas também momentos de silêncio desconfortável em que a tensão psicológica toma conta. Isso dá ao filme uma densidade rara dentro do gênero, aproximando-o de uma verdadeira experiência de terror, em vez de apenas mais uma aventura de ação com zumbis. O público sente o peso das escolhas dos personagens e o desespero de cada decisão mal calculada.
No fim, Resident Evil 8: O Pesadelo Final se revela um encerramento digno e surpreendente. Não é perfeito – algumas subtramas poderiam ter sido mais desenvolvidas, e certos exageros ainda lembram o estilo “over the top” da franquia –, mas o saldo geral é extremamente positivo. É um filme que entrega o que promete: ação eletrizante, momentos de terror genuíno e uma conclusão emocionalmente satisfatória para uma saga que marcou gerações. Para os fãs, é um adeus memorável; para os novatos, uma porta de entrada eletrizante para o universo de Resident Evil.